Porto, 22 Jun (Lusa) - A petrolífera portuguesa Galp Energia vai lançar “nos próximos meses” um projeto de desenvolvimento de biocombustíveis em Angola, em uma parceria com a petrolífera angolana Sonangol e agricultores locais, revelou nesta sexta-feira Fernando Gomes, administrador da empresa portuguesa.
"A grande aposta a curto prazo são os biocombustíveis. A relação que existe entre a Galp e a Sonangol, com a intermediação do governo angolano, vai permitir avançar muito fortemente nos próximos meses para um projeto de desenvolvimento nessa área", afirmou Gomes à Agência Lusa.
O administrador da Galp, que é parceira da Petrobras em operações no Brasil e em Portugal, se escusou a revelar o montante do investimento previsto, adiantando, no entanto, que o projeto deverá envolver uma área de 200 mil hectares.
“O modelo de desenvolvimento que pretendemos para este projeto é uma parceria com a Sonangol e com agricultores locais”, disse Gomes, acrescentando, no entanto, que “ainda há negociações” com a petrolífera e com o governo de Angola para definir o modelo final.
Na perspectiva do administrador, “a sintonia que existe atualmente entre a Galp e a Sonangol permite desenvolver projetos que antes eram impossíveis”, recordando que a petrolífera angolana é atualmente acionista da Galp e o presidente da Sonangol, Manuel Vicente, é membro não executivo do Conselho de Administração da empresa portuguesa.
Entre os negócios possíveis a partir de agora está o reforço da participação da Galp no mercado de distribuição de combustíveis em Angola, através da Sonangalp, empresa controlada pela Galp e pela Sonangol.
“A curto prazo, vamos ter mais cinco postos de combustível, todos em Luanda, e depois vamos crescer no resto do país”, disse Gomes.
Investimentos em petróleo
Em relação ao setor petrolífero, Gomes recordou que a Galp já investiu em Angola cerca de US$ 850 milhões (cerca de R$ 1,630 milhões), dos quais US$ 220 milhões (R$ 422 milhões) apenas este ano, o que a coloca como o “maior investidor português” naquele país africano.
“O investimento tem sido rentável”, afirmou o administrador da Galp, salientando que “o sucesso de algumas descobertas feitas em blocos de exploração de que a Galp faz parte tem permitido que estejamos agora a colher os frutos da sementeira feita ao longo dos anos”.
Segundo Gomes, além dos blocos petrolíferos que já estão sendo explorados, a Galp tem ainda uma participação num bloco on-shore (terrestre) no enclave de Cabinda que ainda não começou a ser explorado.
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