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20-01-2007 18:38:47

Vídeo com visita de parlamentar luso ao Iraque cria polêmica

Ponta Delgada, 20 Jan (Lusa) - O eurodeputado português Paulo Casaca, do bloco socialista, disse neste sábado à Agência Lusa que o grupo Mujahedin do Povo não é considerado uma organização terrorista, após a divulgação de um vídeo em que é visto dançando com elementos do grupo, no Iraque.

Sobre o vídeo, que tem o título "Paulo Casaca, Dancing with Terrorists" ("Paulo Casaca, Dançando com Terroristas", em português), o deputado admitiu que se sentiu "incomodado" com sua divulgação, e que já mandou uma mensagem ao YouTube (página de divulgação de vídeos na Internet), mas reconheceu que "está sujeito à legislação americana".

Um vídeo disponibilizado no YouTube e noticiado pela edição on line do semanário português Expresso mostra o deputado do Parlamento Europeu (PE) Paulo Casaca dançando com integrantes do grupo Mujahedins do Povo, durante uma visita que fez ao Iraque no início deste mês, para lançar um projeto para o país asiático.

"Esse grupo é o principal instrumento antiterrorista existente, atualmente, no Iraque", completou Paulo Casaca à Agência Lusa.

O vídeo teria sido colocado na Internet por uma "organização ligada ao regime iraniano", afirmou o eurodeputado socialista, ao assegurar que o Tribunal de Justiça da União Européia (UE), em decisão tomada em 12 de dezembro de 2006, foi "taxativo" ao retirar os Mujahedins do Povo (grupo oposicionista iraniano) da lista de "organizações com bens congelados".

Casaca explicou que a visita que fez recentemente ao Iraque, que incluiu uma passagem por Amã, Jordânia, tinha como objetivo apenas lançar um projeto intitulado "Irak With a Future" ("Iraque com Futuro", em português), alegando que a Europa precisa fazer "alguma coisa" diante da situação vivida no país.

"Não se pode fechar os olhos", acrescentou o deputado europeu, para quem é necessária uma posição "autônoma européia para negociar com os iraquianos".

Risco de morte

O deputado europeu alemão André Brie disse neste sábado que seu colega de Parlamento Paulo Casaca corre risco de morte se voltar ao Iraque, depois da divulgação de seu vídeo no You Tube.

Em declarações à Agência Lusa, André Brie, que acompanhou Paulo Casaca na viagem ao Iraque no início do mês, considerou que a divulgação do vídeo constitui uma "ação horrível", que põe em "risco de morte" o deputado europeu português.

Apesar de ressaltar que não tem provas a respeito, o parlamentar alemão se disse convencido de que a divulgação do vídeo foi uma ação do Irã, que "tem seus agentes por todo o lado" no Iraque.

"Se Paulo Casaca voltar lá, estará na linha da frente deles", comentou Brie, ao assegurar que uma decisão recente do Tribunal de Justiça da UE "riscou" o grupo Mujahedins do Povo de sua lista de organizações terroristas.

André Brie lembrou que, em 2003, cerca de quatro mil pessoas do Campo Asharaf, que visitou este mês com Paulo Casaca, foram interrogadas pelos norte-americanos, e que não houve uma "única suspeita de terrorismo ou violação dos Direitos Humanos".

 

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