Brasília, 21 Nov (Lusa) - O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Adriano Moreira, defendeu o cumprimento do Acordo Ortográfico, uma vez que já foi assinado, e mais recursos humanos e financeiros para o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).
"O IILP não tem sido apoiado, porque a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem tido um caminho lento no entendimento das responsabilidades dos Estados participantes", disse Moreira, que está partcipando em Brasília num congresso sobre língua portuguesa, que hoje termina.
Segundo ele, Brasil e Portugal devem assumir as suas responsabilidades dentro da CPLP para a sustentabilidade do idioma comum.
"Brasil e Portugal devem assumir a liderança e dinamizar o consenso dentro da CPLP. Não se trata de hierarquia, mas de contribuições para a sustentabilidade do património imaterial, de que a língua é o principal componente e em torno da qual há um interesse comum de todos", assinalou o presidente da Academia das Ciências de Lisboa.
Para Moreira, a responsabilidade principal pela língua, que deveria ser assumida pelo IILP, está a cargo hoje das universidades, sobretudo de Portugal e do Brasil.
Timor
O responsável alertou para as diferentes relações de cada membro da CPLP com a língua e citou o caso de Timor Leste.
"A relação do Brasil com a língua portuguesa não é a mesma de que Timor, onde houve algumas gerações sem escolaridade e onde a língua portuguesa foi escolhida como uma das línguas oficiais para a defesa da identidade de seu povo", sublinhou.
O professor e jurista admitiu que preferia uma declaração conjunta dos governos ao Acordo Ortográfico, mas, como o tratado já foi assinado, deve agora ser cumprido.
"Uma declaração dos Governos garantiria uma flexibilidade para uma realidade que tem vida própria - a língua. Mas, assinado o acordo, a obrigação dos Estados é cumprir", considerou.
O presidente da Academia das Ciências de Lisboa reconhece haver ainda resistências ao Acordo Ortográfico em Portugal, mas disse que o processo "está a marchar".
O Acordo já foi ratificado por seis países da CPLP - Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - faltando apenas Moçambique e Angola.
O documento já está em vigor no Brasil desde janeiro deste ano e deverá começar a ser aplicado em Portugal em janeiro de 2010.
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