Lisboa, 9 nov (Lusa) - O cineasta norte-americano Francis Ford Coppola acredita que o futuro do cinema passa pela realização de filmes à medida do público, a cada sessão e com o diretor presente na sala.
"Prevejo um cinema em que o cineasta está ali com o público e que filme é feito para aquelas pessoas, naquela noite, sendo uma experiência maleável", defendeu Coppola em Portugal, num encontro com o público no âmbito do Estoril Film Festival.
Para o diretor da saga "O Padrinho", "vai ser algo perto do que era o cinema antigamente, o que era o entretenimento, antes de ser tão facilmente reproduzível".
"Pela primeira vez na história os filmes são maleáveis, o que quer dizer que existem como um conjunto de arquivos em estado virtual. O que quer dizer que não têm de ser sempre iguais. Isso é o futuro do cinema", declarou
Para Coppola, a customização dos filmes "só requer uma coisa, que o diretor esteja na sala com o público".
"Os filmes não vão ser como os conhecemos, e será a nova geração a mudar isto", afirmou, acrescentando que esta mudança "é algo que por vezes entristece as pessoas".
O filme que Coppola veio apresentar ao Estoril Film Festival, "Tetro", foi totalmente rodado em digital.
"É triste dizer adeus à película, mas estamos a entrar numa nova era. O cinema é uma linguagem e as línguas evoluem", disse.
Seja hoje, ou no futuro, a escrita e a representação são, para Coppola, os elementos essenciais para um filme ser considerado bom.
Aos jovens cineastas, a quem o futuro pertence, aconselha-os a aprenderem a trabalhar com os atores e colocarem algo de pessoal no que fazem.
"Cada ser humano é único. Se fizeres filmes com um conteúdo pessoal, os filmes serão únicos, porque tu também és", disse.
Este é um conselho que já deu aos filhos, Roman e Sofia, ambos diretores de cinema.
"Tetro", que teve estreia mundial em maio em Cannes, passou domingo à noite em duas sessões esgotadas, entre as quais decorreu o encontro com o público.
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