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08-11-2009 19:50:23

No Estoril, Coppola revela detalhes de seu último projeto

Lisboa, 8 nov (Lusa) – O diretor norte-americano Francis Ford Coppola tem mais de 40 anos de carreira, mas não percebeu a passagem do tempo, pois segue encarando o cinema com o mesmo entusiasmo e prazer que tinha quando começou.

Em entrevista aos jornalistas, antes da pré-estreia do filme "Tetro", Coppola revelou sua visão sobre o cinema, sobre os desafios da direção, contou histórias familiares e explicou alguns detalhes de seu mais recente projeto.

"Tetro", que teve estreia mundial em Cannes, em maio, será exibido esta noite em duas sessões já esgotadas no Estoril Film Festival, e, entre as exibições, o cineasta terá um encontro com o público.

O filme é um drama familiar sobre o clã Tetrocini, contado a partir da história de dois irmãos, Angelo e Benjamin, que se reencontram em Buenos Aires depois de anos de separação, exorcizando um passado que vai surpreendê-los e aproximá-los.

Neste domingo, Coppola admitiu que "Tetro" é seu projeto mais pessoal e que a história tem ligação com sua própria família.

"Todos os filmes que fiz têm muito a história da minha vida", disse o cineasta, que destacou, no entanto, que "Tetro" não reproduz explicitamente episódios da história dos Coppola.

É um filme sobre rivalidades entre irmãos, entre pais e filhos, situações que fazem parte do universo pessoal de Coppola, mas que integram ideias universais que podem tocar o público.

Aproveitando a temática do filme, o diretor falou de sua própria família, dos filhos e da educação que lhes deu.

"Devemos incentivar os filhos a acreditar que são capazes de fazerem o que quiserem porque têm talento. Só precisam se esforçar", disse o pai dos cineastas Roman e Sofia Coppola.

Projetos à vista

Com mais de 40 anos de carreira, Coppola afirma não ter percebido o passar do tempo – "parece que foram só dois anos" – e revelou que escreve o roteiro de um novo filme.

"Faço tudo de coração e com muito entusiasmo. O cinema continua tão interessante e tão vivo que é sempre um prazer. Não cometam o erro de pensar que não há mais nada para inventar ou saber no cinema", aconselhou.

Do passado, lamentou ter perdido o roteiro de um faroeste no qual trabalhava e que acabou sendo levado às telas do cinema por Clint Eastwood. O nome do filme era "Os imperdoáveis" (1992).

O diretor norte-americano acredita que o cinema vive uma fase de grande mudança, "com muita pressão e competitividade", os estúdios preocupados com a pirataria e os downloads ilegais, mas afirma que a salvação não está apenas nas novas tecnologias e no 3D.

"Tenho fé no seu futuro e espero estar vivo para poder ver todas as mudanças acontecerem", disse.

Esta é a segunda vez que Coppola visita Portugal, e da vez anterior ele lembra da comida e dos "excelentes vinhos" que provou, juntando estas recordações ao seu gosto pela vinicultura, já que é dono de duas empresas de produção da bebida.

Apesar dos elogios, Coppola disse que, a curto prazo, só não produzirá um filme em Portugal por causa do euro.

"Como eu me autofinancio, procuro um país que tenha uma boa taxa de câmbio, como a Argentina, e o euro é muito difícil de lidar. Não teria dinheiro para fazer um filme em Portugal”, disse.

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