29-06-2009 09:18:51
Recessão não afeta investimento de empresas lusas no Brasil
Lisboa, 29 jun (Lusa) - Os empresários portugueses no Brasil acreditam que a maior economia da América Latina vai ultrapassar a crise já em 2010 e que a forte retração em 2009 é "apenas um compasso de espera", não havendo, por isso, alterações nos planos de investimento.
Tudo indica que, dos países emergentes, o Brasil possa sair melhor da crise já em 2010, até porque "tem resistido bem" no decorrer deste ano, suportado pelo "dinamismo e dimensão da procura interna", garantiram os empresários consultados nos últimos dias pela Agência Lusa.
A expectativa positiva dos grupos empresariais está em linha com a mais recente previsão do Banco Mundial, que aponta para uma contração de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, bem como da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que estima uma contração de 0,8% do PIB.
No entanto, as projeções do BM e da OCDE contrastam com a do governo brasileiro, que prevê um crescimento do PIB de 1% em 2009.
Para 2010, a OCDE prevê uma retomada que não deve ultrapassar os 4%, enquanto o BM estima um crescimento de 2,5% em 2010 e de 4,1% em 2011.
Consultada pela Agência Lusa, a Brisa, a maior concessionária de estradas portuguesa, garantiu que "a retração registrada no mercado brasileiro já tinha sido antecipada", revelando-se abaixo da esperado.
"A CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias, participada pela Brisa em 18%, está suportada numa sólida base financeira, não tendo sido significativamente afetada pela retração", disse uma fonte da companhia.
Por sua vez, a Balflex, especializada em componentes hidráulicos e industriais, com presença no estado do Paraná desde 1999, tem registrado um crescimento médio de 20% ao ano.
"O início deste ano foi pautado por uma ligeira desaceleração do faturamento no Brasil, que sofreu um quebra para 15% face a igual período de 2008. A previsão de vendas para 2009 (..) aponta para uma faturamento acima dos dois milhões de euros, mais 3,5%", disse Paula Guedes, da direção financeira da Balflex.
Peso brasileiro
Além disso, uma fonte da Portugal Telecom afirmou à Agência Lusa que "os investimentos no Brasil são estratégicos e de longo prazo". "A PT confia nos fundamentais da economia brasileira e reforça o compromisso naquele mercado que representa, atualmente, perto de 50% do total das receitas do grupo" de telecomunicações português, frisou.
O diretor Financeiro da Endutex considerou também que a operação no Brasil "está a correr bem".
Se a CCR, bem como a Brisa, em relação a novos projetos, adotaram uma "maior seletividade na sua análise", já a Endutex destaca que "o investimento inicial na fábrica do Brasil, especializada na área do calçado e da moda, está mais que consolidado", garantiu Américo Godinho. "Vamos reforçar a nossa capacidade produtiva", acrescentou o gestor.
Operação lucrativa
Acompanhando a mesma onda positiva de investimento está o grupo Pestana, da área do turismo, com o diretor Luigi Valle destacando: "Apesar da crise financeira, a operação na América Latina é a que se está a revelar mais lucrativa para o grupo. Detemos nove hotéis no Brasil, um em Buenos Aires e outro em Caracas (Venezuela), e estamos ativamente à procura de oportunidades para comprar hotéis no Chile e no Uruguai”.
"Num ano de crise as oportunidades até são maiores, incluindo a análise de oportunidades no Brasil", disse, adiantando que os lucros operacionais no continente deverão subir 15% até ao final de 2009, para 65 milhões de euros.
Já o presidente do Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, afirmou que o grupo, embora esteja fazendo uma gestão mais rigorosa, vai manter os investimentos e continuar com os projetos em carteira.
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