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10-06-2009 11:49:50

TV brasileira vai apoiar produção de conteúdo no Timor

Rio de Janeiro, 10 jun (Lusa) - A nova parceria de cooperação técnica do Canal Futura com a Televisão de Timor Leste (TvTL), o único canal televisivo timorense, marca a tentativa de consolidar o uso da língua portuguesa no país asiático.

A parceria firmada entre os dois canais a convite da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, prevê, inicialmente, o uso do acervo de programas do Canal Futura, além da formação em serviço de técnicos da TvTL, treinamento de jornalistas, até mesmo co-produções e exibição de materiais produzidos nos dois países.

O objetivo, segundo João Alegria, gerente de programação e jornalismo do Canal Futura, é contribuir para o desenvolvimento institucional da TvTL numa perspectiva de “mão dupla, pois vamos fazer juntos e também receber programas e peças jornalísticas de Timor”.

Ele explica que a colaboração será realizada nas “residências de informação e serviço” com a ida de técnicos e jornalistas timorenses ao Brasil para trabalhar em equipe com os profissionais do Futura, que serão acompanhados por um tutor brasileiro, enquanto técnicos brasileiros irão ao Timor para capacitar e trabalhar em conjunto na produção de conteúdo local.

Em dois meses deverá começar a colaboração entre o jornal do Canal Futura e o telejornal timorense da TvTL, até agora único programa de 20 minutos da emissora.

O passo seguinte, indica Alegria, será a realização de três programas de curta duração com 10 episódios com uma construção em colaboração com os profissionais de Timor. “Para o fim do ano vamos tentar realizar uma primeira experiência de co-produção de uma série de cinco programas de meia hora de duração.”

Desafio

Para ele, o grande desafio é conceber uma grade de programação com conteúdo informativo, de entretenimento e educacional, “mas considerando um conjunto de características do país, das condições econômicas e sociais daquela população de maneira a fazer uma TV interessante e que possa ser assistida”.

Criada em 2002, a TvTL conta atualmente com 50 profissionais e tem uma produção local de cinco horas. O restante das 16 horas de programação em que o canal está no ar é preenchido por programas da RTPi (Rádio e Televisão Portuguesa Internacional).

Segundo António Dias, diretor geral do canal timorense que está no Rio de Janeiro para firmar a parceria, a TvTL pode ser um grande instrumento de difusão e consolidação da língua portuguesa no Timor, o segundo idioma oficial atrás do tetum, mas falado por apenas 15% da população.

A preocupação, afirma Dias, é fortalecer o canal timorense, mas sem perder a identidade. “A dificuldade que temos, nesse momento, é reintroduzir a língua portuguesa. A TvTL tem essa importante missão, temos muitas dificuldades, mas vamos ter um passo importante para atingir a meta”.

Para o diretor da TV timorense, o primeiro desafio é habituar os telespectadores com o idioma português, “não é tão fácil, vamos por etapas”.

“Confesso francamente que estamos a ter uma viagem longa. Estamos a procurar funcionar com standard, o que não temos até agora”, disse.

Cooperação

Dias ressalta ainda que a realização de parcerias internacionais como as que estão sendo feitas com o Brasil e com Portugal são “um passo marcante”.

“A questão nossa agora é trabalhar juntos com os nossos irmãos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) para ultrapassar várias dificuldades que estamos a passar. Contamos com os nossos colegas, países de língua portuguesa, mais especialmente o Brasil e Portugal”.

Com uma população de cerca de um milhão de pessoas, Timor Leste é o país mais novo do mundo, tendo sua independência sido formalizada em 2002, após três anos em que esteve sob a administração das Nações Unidas.

A língua portuguesa foi re-introduzida em 1999, ano em que a resistência timorense pôs termo à ocupação da Indonésia, que durava desde 1975.

Além do idioma oficial ser também o português, a língua mais falada pelos timorenses é o tetum, mas o país ainda convive com outros 30 dialetos diferentes.

Costume

“O Brasil não está acostumado a ouvir a língua portuguesa [falada por não brasileiros]. Os brasileiros têm de começar a se acostumar a ouvir o português de outras partes”, afirma a gerente geral do Canal Futura, Lúcia Araújo, ao defender a realização de ações conjuntas no campo da comunicação com países lusófonos.

“Quiçá poderemos fazer isso com todos os países de língua portuguesa, é uma relação em que só temos a ganhar”, referindo as experiências que estão a ser feitas do Canal Futura com a Soico TV de Moçambique há seis anos, nos meios de comunicação em Cabo Verde e também, a partir deste ano, em Timor.

“Estamos a conversar com as autoridades de Timor Leste desde a independência por conta dos Telecursos da Fundação Roberto Marinho que fez uma capacitação de educadores timorenses para o uso da língua portuguesa”, disse

Para ela, o aspecto do treino é um “mote muito importante na relação com os países de língua portuguesa e é onde o Brasil pode dar um apoio relevante e efetivo”.

Plataforma

Lúcia Araújo destacou, durante encontro com diretores da TvTL, na terça-feira, no Rio de Janeiro, para dar início ao acordo de cooperação técnica entre os dois canais, que a “polissemia a partir da experiência dos diferentes países de língua portuguesa pode ser uma plataforma de troca de conteúdos e de abertura para o Brasil”.

A ideia inicial é prover conteúdo do acervo do Canal Futura para a TvTL e capacitar técnicos timorenses para produzirem peças jornalísticas com qualidade.

“A gente vai começar com o jornalismo que é uma necessidade imediata e o Canal Futura tem o jornalismo mais voltado para a educação e a área social e vamos trabalhar em matérias que interessem ao jornalismo deles e ao nosso”, explicou.

E numa perspectiva de intercâmbio entre os dois países, Araújo apontou ainda a pretensão de realizar trocas de conteúdos jornalísticos e incluir programas produzidos pelos profissionais timorenses e exibi-los na grade de programação no Brasil.

 

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