Lisboa, 28 abr (Lusa) - O Brasil está priorizando o combate à destruição da Floresta Amazônica, que reduziria as emissões de poluentes, mas já se prepara também para os efeitos das alterações climáticas, afirmou, em Lisboa, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Em um discurso na abertura do evento Dias do Desenvolvimento, Minc afirmou que o Fundo de Mudança do Clima já está no Congresso e deve ser aprovado dentro de dois a três meses, contando com 10% das receitas petrolíferas do país para ações de "mitigação e adaptação".
"É uma coisa importante. Temos de criar mecanismos consistentes para política de combate à vulnerabilidade e adaptação da população" em relação ao esperado aumento da temperatura média, que conduz à desertificação, afirmou o ministro.
Outra área de ação do governo brasileiro inclui o saneamento, estando previsto um plano para duplicar a quantidade de esgotos coletados e tratados no país.
"É um ganho real no país. Por cada dólar investido no saneamento, poupa-se seguramente três ou quatro na saúde. (...) A primeira causa de mortalidade no Brasil ainda são doenças causadas por água contaminada", afirmou.
"Temos um plano, temos metas e temos o Fundo da Amazônia", disse o ministro brasileiro, que se confessou "emocionado" por representar o governo brasileiro no evento na capital portuguesa, cidade onde viveu no exílio e inclusive lecionou.
Medidas
Minc disse estar empenhado em interromper o desmatamento da Amazônia, mas ressaltou que "não basta a ação policial de fiscalização de repressão".
"Tenho estado de 15 em 15 dias na Amazônia em operações contra o desmatamento fechando carvoarias clandestinas, fechando madeireiras clandestinas, tirando gado ilegal. Fechamos uma carvoaria em uma hora, mas não conseguimos criar 50 empregos em uma hora. Precisamos fazer com que as pessoas possam viver com dignidade, mantendo a floresta em pé", afirmou.
O Governo Lula pretende reduzir desmatamento da Amazônia em 70%, o equivalente a reduzir emissões de dióxido de carbono em 4,8 bilhões de toneladas de carbono. "É tal a emissão ligada ao desmatamento da Amazônia que essa meta é superior à soma das metas dos países desenvolvidos [no protocolo] de Kyoto", sublinhou.
Quanto as próximas etapas da discussão global sobre as alterações climáticas, como a conferência de Copenhague no final deste ano, Minc diz que estão "bem encaminhadas", com a maior abertura recentemente demonstrada pelos Estados Unidos, mas afirma haver também motivos de preocupação.
"A questão não está ainda definida porque existe um abismo entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento". No final do discurso, disse que a cooperação é a única solução porque "não se é feliz sozinho".
"É esta a posição brasileira: completamente favorável a intensificar a cooperação, completamente comprometida com um mundo sustentável. Não dizer que resolvemos todos os problemas - ao contrário, estamos longe - mas lutando diariamente para que a inclusão social e diminuição das emissões seja incorporada" pelas decisões dos agentes públicos, disse.
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