Lisboa, 2 mar (Lusa) - As poucas estatísticas atualizadas e confiáveis disponíveis sobre a Guiné-Bissau mostram um dos piores países do mundo para viver, o que pode ser visto em quase todos os indicadores econômicos e de desenvolvimento.
Curiosamente, domingo, dia em que foi assassinado o chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, foi iniciado o terceiro censo populacional, 18 anos depois do último que contou os guineenses em quase um milhão.
O primeiro a ser recenseado foi o próprio presidente guineense, João Bernardo Nino Vieira, no seu gabinete de trabalho na presidência da República, morto algumas horas depois por militares.
“É fundamental que saibamos quantos é que somos. Até aqui cada um dá o seu número conforme a sua conveniência ou a sua fonte. Temos que saber quantos somos de fato”, disse o chefe de Estado guineense, naquela que foi sua última declaração pública.
No último relatório do Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Guiné-Bissau surge na 175ª posição, tendo atrás de si apenas Serra Leoa e Burkina Faso.
A esperança média de vida é de 45,8 anos, e a taxa de matrículas de crianças no ensino de apenas 36,7% - não há dados atuais sobre a taxa de analfabetismo nos adultos.
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita, de US$ 827, é também dos mais baixos do mundo.
Ainda segundo números das Nações Unidas, o país está fora de rota para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, principalmente o de melhorar a nutrição infantil.
Estima-se que a população ronde 1,6 milhões de pessoas, com tendência de crescimento: a projeção da ONU é de 2,2 milhões até 2015.
Economia
A população vive essencialmente da agricultura (arroz) e pescas, e as colheitas de caju tem crescido nos últimos anos, estando o país atualmente na 5ª posição entre os principais produtores mundiais.
A economia tem vindo a sofrer com as constantes crises políticas e conflitos militares - em 1998, o PIB recuou 28%, recuperando parcialmente entre 1999 e 2002.
O país possui ainda reservas de minerais de fosfatos e bauxite, que são praticamente inexploradas.
Nos últimos anos têm sido feitos trabalhos de pesquisa de petróleo, sem que tenham sido confirmadas reservas em condições de serem exploradas comercialmente.
O último ranking "Fazer Negócios", elaborado pelos economistas do Banco Mundial, coloca a Guiné-Bissau no antepenúltimo lugar (179º) em termos de condições para exercício da atividade empresarial sem reformas dignas de nota para o Banco Mundial.
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