Santiago de Compostela, Espanha, 22 set (Lusa) – Um grupo de agricultores da Galícia derramou hoje mais de 25 mil litros de leite de Portugal que estava sendo transportado para uma fábrica na região, num protesto em que exigem um “preço digno” para o leite galego.
A ação visou um caminhão da empresa de Barcelos “A Fornecedora” que se dirigia para a fábrica da Corporación Peñasanta – de que faz parte a leitaria Larsa – e que foi parado em Lugo.
O protesto, apoiado pelos sindicatos Asaja-Xóvenes Agricultores (XXAA), Unións Agrarias (UU.AA.) e Sindicato Labrego Galego (SLG), surge depois de manifestações, nos últimos meses, contra a importação de leite de Portugal a preços mais baratos que os praticados na Galícia.
O secretário-geral da Asaja-Xóvenes Agricultores, Francisco Bello, disse que o ato de hoje se inseriu nos protestos “contra as constantes ameaças” de redução de preços por parte das indústrias lácteas regionais.
“Sentimo-nos na obrigação de denunciar perante a opinião pública que a indústria ameaça os agricultores – de que ou baixam os preços ou deixam de comprar – e ao mesmo tempo vão, pelas costas, comprar leite a França e a Portugal”, disse.
Defendendo negociações entre as indústrias do setor e os produtores, Bello afirmou que muitas empresas estão praticando “fraude por estarem a receber subsídios para depois não comprarem leite galego”.
Também a Unions Agrárias critica o que diz ser “os abusos das indústrias sobre o trabalho dos produtores de leite”, afirmando que práticas como importar leite de Portugal “estão a asfixiar os criadores de gado galegos” e a “desequilibrar o mercado interno”.
“A indústria não tem qualquer escrúpulo em deixar de comprar leite na Galícia enquanto a compra de países como Portugal e, sobretudo, de França”, afirmou.
Esta entidade queixa-se do que considera ser a importação de excedentes de produção de países que produzem mais do que consomem e que vendem para Espanha “a preços mais baixos”.
Já em agosto o responsável de uma outra empresa galega, a Leche Rio, tinha anunciado que deixaria de comprar leite de Portugal, onde adquiria 22 mil litros diariamente.
Neste caso Jesus Lence explicou que havia retornado ao mercado da Galícia porque “há muita oferta e pouca procura”.
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