Caracas, 1° set (Lusa) - A Venezuela vai comprar milhares de computadores escolares produzidos em Portugal, revela nesta segunda-feira a imprensa local, segundo a qual a operação, financiada pelo governo de Caracas, resulta dos acordos alcançados por Hugo Chávez na sua visita a Lisboa em julho.
Sob o título “PC escolar será produzido em Portugal”, o Últimas Notícias - o jornal de maior tiragem no país - dedica quase toda a seção semanal “Tecnologia em crioulo” ao assunto, frisando que “a indústria nacional não foi consultada”.
O trabalho, do jornalista Heberto Alvarado, começa por precisar que “depois de vários meses de provas e promessas vencidas” em relação ao lançamento de um computador escolar, “o governo nacional (venezuelano) tomou uma decisão” e os mesmos vão “estar no país, não pelo esforço da indústria nacional” mas “graças aos acordos que o Executivo alcançou com Portugal, no mês de julho, durante um tour europeu do presidente Hugo Chávez a terras lusitanas”.
O jornal revela que “uma comissão de alto nível, que incluiu representantes dos ministérios de Telecomunicações e de Educação, visitou altos representantes do Governo português e do projeto Magalhães, nome do notebook português”.
“O motivo foi definir os memorandos de entendimento que a ministra de Telecomunicações, Socorro Hernández, manteve durante a visita presidencial”, acrescenta.
Segundo o Últimas Notícias, “o número total de equipamentos (portáteis) é desconhecido, mas fontes próximas ao Executivo supõem que serão mais de 100 mil unidades”.
“Também não se sabe o valor [monetário] total da operação” que funciona como “parte dos acordos energéticos que o Governo nacional estabeleceu com Portugal”.
O mesmo jornal precisa que “esta semana representantes do projeto Magalhães e do Governo português estarão na Venezuela para se reunirem com as autoridades do Ministério de Educação e Fundabit e assinarem o acordo com a ministra Socorro Hernández. A negociação estará concluída nas próximas duas semanas”.
O Últimas Notícias interroga-se sobre “porquê Portugal” para fabricar os computadores e precisa que uma vez conhecida essa informação tentou, sem sucesso, contatar os funcionários dos ministérios envolvidos no acordo.
“O interesse era saber porque motivo se apostou num desenvolvimento feito por empresas estrangeiras, antes de continuar com um projeto que inicialmente seria responsabilidade da Venezuelana de Indústrias Tecnológicas (VIT), empresa em que o Governo tem uma participação”, detalha.
Citando Jorge Berrizbeitia, presidente do Centro Nacional de Inovação Tecnológica (Cenit), o jornal cita que aquele organismo realiza desde há mais de um ano testes do notebook de Intel e que a “aquisição faz-se para reduzir os tempos e assegurar a colocação dos computadores escolares o mais cedo possível”.
“Nestes momentos a VIT não tem capacidade operacional. Para não demorar o projeto um ou dois anos mais, optamos pelo projeto Magalhães, que está em consonância com a nossa iniciativa”, diz Berrisbeitia.
Segundo o Últimas Notícias, o “notebook português” terá o sistema operacional Canaima (baseado em Linux), criado recentemente pelo Centro Nacional de Tecnologias de Informação, mas “desconhece-se quais as aplicações educativas” que vão ser incluídas.
O jornal conclui explicando que “o Governo resolveu o tema do PC escolar e com a sua decisão deu um golpe à indústria nacional”.
“Se a isto somarmos a incorporação de software cubano também se estará afetando a indústria nacional de software, muito golpeada já pela pouca proteção à propriedade intelectual que há no país”.
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