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03-07-2008 11:31:09

Mecanização de canaviais exigirá requalificação de 500 mil

Por Eduardo Lobão, da Agência Lusa

Piracicaba, 3 jul (Lusa) – Meio milhão de trabalhadores da indústria da cana precisarão ser qualificados para outro tipo de trabalho até 2012 diante das mudanças esperadas para o setor, disse nesta quinta-feira à Agência Lusa José António Godoy, presidente do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla), associação que congrega produtores.

"Até 2012, toda a produção, toda a colheita, tem de ser mecanizada. Trata-se de um compromisso do governo para acabar com o corte manual e a queima de palha. São cerca de 500 mil pessoas, que têm de ser qualificadas para outro tipo de trabalho porque uma máquina de corte de cana-de-açúcar vai substituir 50 trabalhadores”, explicou.

José António Godoy falou à Lusa no Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), principal mostra do setor no Brasil, que ocorre esta semana, em Piracicaba (SP).

O presidente da Apla respondia, assim, às críticas dirigidas à indústria brasileira de biocombustíveis, que é acusada fora do país de utilizar mão-de-obra infantil e trabalho escravo nas plantações.

A ofensiva das autoridades brasileiras para desfazer a imagem negativa que a indústria sucroalcooleira passa no exterior inclui ainda a abertura de escritórios regionais em vários países.

José António Godoy contou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), em conjunto com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), está abrindo escritórios regionais em vários países para mudar a imagem que os estrangeiros têm das plantações brasileiras.

O representante dos produtores considera, por outro lado, que muitas críticas resultam do desconhecimento da dimensão do Brasil e das condições requeridas para o cultivo de cana-de-açúcar, baseado na idéia preconcebida de que o aumento da plantação de cana resulta no desmatamento da Amazônia.

"Há essa idéia errada. No Brasil, temos aproximadamente 350 milhões de hectares de área agrícola, em que se pode plantar qualquer tipo de produto. Desse total, a cana só ocupa 2%, aproximadamente 7 milhões de hectares”, defendeu.

O ordenamento do território para a expansão da cana-de-açúcar no Brasil foi o tema de uma palestra no Simtec na terça-feira, ministrada pelo técnico do Ministério da Agricultura, Cid Jorge Caldas.

O Ministério da Agricultura já concluiu o mapa das áreas aptas a produzir cana-de-açúcar e das áreas proibidas, como unidades de conservação e reservas indígenas, além do mapa das áreas de pastagem.

O ordenamento do território servirá de referência para a candidatura a subsídios governamentais em novos investimentos.

"Aqueles que não levem em consideração o mapa poderão não conseguir o capital que precisam para os negócios”, garantiu Cid Jorge Caldas.

 

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