Pequim, 18 Abr (Lusa) - Dois artistas chineses desistiram de expor seu trabalho na França em protesto pelas manifestações anti-China durante a passagem da tocha olímpica por Paris, informou nesta sexta-feira a imprensa estatal chinesa.
Wang Guangyi e Lu Hao, dois nomes célebres da arte contemporânea chinesa, anunciaram que não participarão de uma exposição agendada para junho em uma galeria parisiense devido à atitude francesa diante dos Jogos Olímpicos.
"Aborrecidos" com o apoio que alguns franceses dão ao boicote contra a Olimpíada, os dois artistas decidiram, segundo Wang, "não comparecer" por entenderem que, "neste período, em particular, estar presente na exposição não seria uma atitude feliz".
Ambos destacaram que a decisão foi pessoal, e Wang acrescentou que tem grande respeito pela cultura francesa, não descartando a possibilidade de colaborar com a cena artística do país no futuro.
Depois dos distúrbios na passagem da tocha olímpica por Paris, os consumidores chineses lançaram esta semana uma campanha nacionalista de boicote às marcas francesas, que acusam de apoiar o Dalai Lama.
De blogs a torpedos SMS, de e-mails ao messenger, os chineses estão recebendo apelos para se recusarem a comprar marcas e produtos franceses, em uma campanha que visa, sobretudo, os hipermercados Carrefour, líder na China.
A França minimiza a importância deste boicote, afirmando que apenas "uma minoria muito reduzida" de pessoas aderiu à iniciativa, e o Carrefour, que tem mais de 100 lojas na China, já reiterou seu apoio aos Jogos Olímpicos de Pequim.
Uma busca no portal em chinês mais popular, o Baidu.com, resultava em 107 mil páginas de apelo a boicotes aos produtos franceses, depois das manifestações pró-Tibete que causaram o caos durante a passagem da tocha olímpica por Paris, em 7 de abril.
Os consumidores chineses também estão revoltados com o fato de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, não ter rejeitado a idéia de um boicote à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, que ocorrem entre 8 e 24 de agosto.
A viagem da tocha olímpica pelo mundo tem sido marcada por protestos desde o início, em Olímpia, na Grécia.
Na manifestação de Paris, os críticos da repressão chinesa no Tibete tentaram "roubar" o símbolo olímpico das mãos dos atletas, obrigando a equipe de segurança chinesa a extinguir a tocha várias vezes e protegê-la em um ônibus.
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