Lisboa, 11 de Fev (Lusa) - O escritor moçambicano Mia Couto afirmou nesta segunda-feira à Agência Lusa que não existe necessidade do acordo ortográfico da língua portuguesa ser aplicado.
Na opinião do autor de "O outro pé da sereia", "o acordo ortográfico tem tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva".
Deste modo, o escritor moçambicano rebateu o angolano José Eduardo Agualusa, que defendeu a escolha em Angola pela ortografia brasileira caso o acordo não seja aplicado por "resistência" de Portugal.
No domingo, Agualusa publicou um artigo no semanário A Capital, de Luanda, afirmando que Angola "tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia única do que Portugal ou o Brasil",
"Sou grande amigo do Agualusa, mas nesse ponto tenho uma grande divergência", afirmou o Mia Couto, em Lisboa, durante uma sessão de autógrafos.
O acordo ortográfico da língua portuguesa foi estabelecido em 1991 e assinado por todos os países da CPLP.
Em Angola, aguarda-se a ratificação do documento, que o governo de Luanda considerou ter "caído no esquecimento".
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