Brasília, 06 Set (Lusa) - Brasil e Moçambique assinaram nesta quinta-feira, durante a visita do presidente Armando Guebuza a Brasília, seis acordos, sendo o mais importante um acordo de entendimentos na área de biocombustíveis.
O documento estabelece um plano de ação que será elaborado em 180 dias para promover a cooperação e o intercâmbio técnico na área dos combustíveis renováveis.
"A cooperação no âmbito dos biocombustíveis abre boas perspectivas para geração de empregos e rendimentos para muitos moçambicanos. Temos enorme potencial para a produção da matéria-prima", disse Armando Guebuza.
O presidente moçambicano destacou o efeito multiplicador do acordo para o combate à pobreza e seus impactos para a proteção do meio ambiente e redução do aquecimento global.
"A política africana do governo do presidente Lula revela o compromisso do Brasil para a superação dos constrangimentos que impedem o continente africano de alcançar os níveis de desenvolvimento que anseia", disse.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o Brasil poderá contribuir também para viabilizar o potencial hidrelétrico e petrolífero de Moçambique. Recentemente, o governo de Maputo anunciou que será lançado ainda este ano um novo concurso internacional para a prospecção de petróleo e gás em diversas regiões do país.
Lula afirmou que o investimento da Companhia Vale do Rio Doce na exploração do carvão em Moatize deverá induzir um novo ciclo de investimentos brasileiros em Moçambique. Segundo o presidente brasileiro, outras empresas brasileiras estudam investimentos nas áreas de infra-estrutura e energia no país africano.
Além do acordo na área de biocombustíveis, os dois países assinaram projetos de cooperação para consultas políticas, educação à distância, formação de estudantes, construção de cisternas em comunidades rurais e troca de experiências entre as chancelarias.
Combate à Aids
Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a intenção do Brasil de instalar uma fábrica de anti-retrovirais, para tratamento de portadores da Aids, em Maputo e anunciou a abertura de uma unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Moçambique.
O anúncio foi feito no Ministério das Relações Exteriores, ao lado do presidente moçambicano, Armando Guebuza.
"Reitero publicamente a nossa disposição de continuar a trabalhar com Moçambique para a instalação, em Maputo, da fábrica de remédios anti-retrovirais. É também nossa intenção abrir uma representação da Fundação Oswaldo Cruz em Maputo. Será a primeira da Fiocruz fora do Brasil", disse Lula.
De acordo com o presidente brasileiro, as iniciativas revelam o compromisso do Brasil com a saúde, não apenas de Moçambique, mas de todo o continente africano.
Guebuza disse que a construção da fábrica de anti-retrovirais é aguardada com "enorme expectativa" pela sociedade moçambicana. "Trata-se de um empreendimento que vai, em grande medida, reforçar a nossa capacidade de tratamento dos homens e mulheres infectados pela Aids", afirmou.
Moçambique tem uma taxa de prevalência da Aids acima de 13% e há cerca de um milhão e meio de pessoas infectadas no país.
Fiocruz
O diretor da Fundação Oswaldo Cruz, Eduardo Costa, disse à Agência Lusa que a unidade em Moçambique deverá ser aberta em 2008.
No país africano, a Fiocruz vai coordenar as atividades de suprimento e transferência de tecnologia de medicamentos anti-retrovirais e de treinamento em saúde pública.
Segundo Eduardo Costa, o estudo de viabilidade da fábrica de anti-retrovirais e Maputo já foi concluído e cabe agora ao governo moçambicano dimensionar o tamanho da unidade. A União Africana incentiva que o projeto tenha dimensões regionais.
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